Brasil e a Globalização


Universidade Federal Fluminense

Instituto de Geociências

Departamento de Geografia

Disciplina: Geografia Econômica

Professor Helio Evangelista

 

 

 

 

 

 

 

 

O Brasil e Sua Inserção na Globalização

 

 

 

 

 

 

Eduardo Monteiro Santos

Mayã Luíza Teles Garcia

Pedro Silva Alvarez

Rodrigo Oliveira Magalhães

 

 

 

 

 

 

Niterói, 27 de maio de 2008



Escrito por Rodrigo Federer às 20h00
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Introdução

O início da Globalização gera discordância quanto ao momento histórico de seu surgimento. Porém a datação mais significativa e aceita é o fim da década de 80, onde o mundo era dividido em dois: o capitalista e o socialista. O que estamos vivendo hoje é a vitória do sistema que ganhou esta guerra: o capitalista, que é um sistema produtivo, ou seja, ele precisa produzir, e precisa vender para obter lucro, para isso ele usa dois outros sistemas auxiliares atualmente: O sistema neoliberal e uma rede de informação mundial que faça seu produto conhecido e comercializado no mundo inteiro. Eis aí a globalização. Tal fenômeno, ainda, gera a agilidade e eficiência das comunicações e da informação, além de ‘’estreitar’’ as distâncias entre cidade e países.

O Brasil, como mostraremos, está totalmente inserido nesse contexto global. Suas raízes estão pautadas na abertura econômica com Juscelino Kubitschek, no grande investimento estrangeiro durante a Ditadura Militar e, mais profundamente, com a implementação da política neoliberal no início da década de 90.

Será ainda levado em consideração questões como: agropecuária, comércio internacional (importação e exportação), a importância geopolítica do Brasil no mundo, devido a grande quantidade de água doce, a importância da Amazônia, a importância do país junto a ONU, a questão energética, a importância do Mercosul, a atração de Multinacionais e seu contexto interno no país, entre outros assuntos.



Escrito por Rodrigo Federer às 20h00
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Processo histórico

            Como dito acima, já no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), o Brasil ‘’engatinhava’’ uma economia minimamente globalizada. JK investiu com convicção na atração de capitais externos para equipar as indústrias locais. Com medidas que privilegiavam esses empréstimos, como a adoção de uma taxa cambial favorável e de facilidades na remessa de lucros para o exterior, o Brasil assistiu a uma invasão veloz do capital estrangeiro em áreas estratégicas.

            Nessa época, foi criado um Plano de Metas, onde o lema do governo era “cinqüenta anos de progresso em cinco”. Esse plano previa um acelerado crescimento econômico a partir da expansão do setor industrial, com investimentos na produção de aço, alumínio, metais não-ferrosos, papel, celulose, borracha, construção naval, maquinaria pesada e equipamento elétrico.

            O Plano de Metas teve pleno êxito, pois no decorrer da gestão governamental a economia brasileira registrou taxas de crescimento da produção industrial (principalmente na área de bens de capital) em torno de 80%. Além disso, a indústria automobilística começou a ganhar significativo destaque.

            Por outro lado um significativo aumento da inflação e da dívida externa foi inevitável. O governo realizava investimentos no setor industrial a partir da emissão monetária e da abertura da economia ao capital estrangeiro, o que gerou uma desnacionalização econômica, já que as empresas estrangeiras (multinacionais) passaram a controlar setores industriais estratégicos da economia nacional. Portanto, se por um lado o Plano de Metas alcançou os resultados esperados, por outro, foi responsável pela consolidação de um capitalismo extremamente dependente. Nesse contexto, entrou em cena o Fundo Monetário Internacional (FMI), que passou a representar o vilão estrangeiro, com suas ingerências na política econômica brasileira e exigências para o saneamento das finanças.

Outro momento histórico onde o país obteve grande relação exterior foi durante a Ditadura Militar (1964-1985). Um dos objetivos era atrair novos investimentos de capital para o país. Nessa época, o investimento do Estado na indústria pesada, transformaria o Brasil em uma grande potência. A utilização da correção monetária surgiu para reduzir a inflação e minimizar as perdas dos investidores. Com o Banco Nacional de Habitação (BNH), em 1965, a classe média era incluída no sistema de crédito, aumentando a receita federal.

Nesse ritmo, a economia cresceu tão vigorosa que marcou época, ficando conhecida como "Milagre Econômico", ocorrido entre 1968 e 1973. Nessa época a economia crescia numa taxa média de 10% ao ano e, além disso, houve grande modernização dos sistemas de comunicação e realização de obras gigantescas. Porém, a partir de 1973, quando houve a 1º grande crise do petróleo houve algumas grandes conseqüências negativas, como a taxa de lucro dos empresários que crescia enquanto os salários dos trabalhadores eram atingidos, o aumento considerável da dívida externa, a subvalorização cambial e a fuga de capital para os EUA.

Antes da globalização realmente vigorar no Brasil, foi preciso um grande empenho para reduzir a inflação de 223% que o país presenciava. Para isso, criou-se o plano Cruzado, o qual não conseguiu grande sucesso. Após isso, uma das medidas do governo Collor foi a abertura da economia, com diminuição das tarifas de importações. Além disso, iniciou-se, realmente, o processo de privatizações. A partir daí surge o Plano Real e o governo passa a intervir cada vez menos na economia.

Além disso, há uma invasão de bens de consumo e de produção. O número de indústrias cresce e, conseqüentemente cresce o número de investimentos estrangeiros e multinacionais. A economia globalizada, então, está consolidada.



Escrito por Rodrigo Federer às 19h59
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Migrações

 O processo de migrações está, hoje em dia, vinculado à Globalização, mas nunca dependeu deste processo para acontecer. O Brasil, particularmente, recebe imigrantes desde 1500 quando ocorreu a colonização. Porém, tornou-se um pólo atrativo de imigrantes apenas a partir de 1850, com a proibição do tráfico negreiro, desenvolvimento das atividades cafeeiras e facilidade ao acesso da terra, principalmente na região sul. Outras épocas de grande atração foram 1930 com o início da industrialização brasileira e durante o governo JK, com grande número de vagas de empregos. 

Durante a década de 80 até meados da década de 90, a emigração superou a imigração, devido a instabilidade política, desemprego e baixos salários. Além disso, houve grande deslocamento populacional no interior do país principalmente com a região Sudeste recebendo grande contingente. A partir de 1994, a entrada e saída de pessoas voltou a equilibrar-se. Hoje em dia, com o ‘’encurtamento’’ das distâncias, tanto com a inovação e barateamento dos transportes como com o surgimento de novas tecnologias de informação e comunicação, as migrações têm se intensificado, principalmente de países periféricos para países centrais. 

            Ao longo dos últimos vinte anos, as migrações internas brasileiras reorganizaram a

população no território nacional, onde as vertentes da industrialização e das fronteiras

agrícolas constituíram os eixos da dinâmica da distribuição espacial da população no

âmbito interestadual. 

            Quando se considera os movimentos migratórios interestaduais, de modo geral,

pode-se verificar, do período 1986-1991 para 1991-1996, uma redução no número de estados ganhadores de população. No âmbito inter-regional alterou-se, de fato, a tendência manifestada ao longo do período 1981-1991, de multiplicação de pólos nacionais de atração de migrantes interestaduais fora do eixo centro-sul do País.



Escrito por Rodrigo Federer às 19h58
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Mercosul

 Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Venezuela (2006), mais países associados.

  • Criação: 1991 – finalidade de uniformizar taxas de juros, índice de déficit e taxas de inflação.
  • PIB aproximado: 2 trilhões $

            Visa dinamizar a economia regional, eliminando as tarifas alfandegárias e  movimentando entre si mercadorias, pessoas e capitais. Foi fixada uma Tarifa Externa Comum (TEC) para igualar a política comercial dos países membros. Atualmente o Mercosul possui um PIB de mais de 2,2 trilhões de dólares (base PPC), sendo que cerca 70% deste valor corresponde ao Brasil. Logo as assimetrias de mercados existentes no bloco são grandes, gerando grande desigualdade. Isso vem causando uma série de atritos dentro do bloco.

            O intercâmbio comercial dentro do Mercosul tem aumentado muito, batendo recorde histórico em 2006. Este intercâmbio tem sido favorável ao Brasil. O país tem superávit comercial com todos os países membros.

            Em 2006, a corrente de comércio do Brasil com o Uruguai totalizou US$ 1,62 bilhão, contra US$ 1,34 bilhão em 2005. Já o fluxo comercial com a Argentina foi de US$ 19,77 bilhões, contra US$ 16,15 bilhões no ano anterior. Em 2006, o Brasil exportou US$ 1 bilhão para o Uruguai - 86% foram produtos manufaturados como óleo diesel, automóveis, autopeças e celulares. As importações, porém, ficaram em apenas US$ 618,22 milhões – um superávit brasileiro de US$ 387,87 milhões. Os principais produtos comprados do Uruguai foram malte não torrado, garrafas plásticas, arroz, trigo, carnes desossadas e leite em pó.

            Durante a XXXII cúpula do Mercosul foi proposto pelo Brasil a redução da TEC (tarifa externa comum) para estes países. Tal proposta está em análise.



Escrito por Rodrigo Federer às 19h57
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Conselho de segurança da ONU e interesses econômicos

 

  • Criação: pós-2ª Guerra Mundial
  • 15 membros – 5 permanentes ( EUA, Rússia, Inglaterra, França, China ), nº mínimo de 9 membros para tomada de decisões.

 

            O Brasil ocupa um assento de membro não-permanente. Participa dos processos de tomada de decisões e do trabalho da ONU, principalmente por meio de 4 representações permanentes: NY, Genebra, Roma e Paris. (eventos da Assembléia Geral e Conselho de Segurança; trabalhos relativos à África, Ásia e Oriente Médio; trabalhos relativos à agricultura e alimentação mundial; educação, ciência e cultura – respectivamente)

 

            O Brasil busca um lugar permanente no Conselho de Segurança, alegando que é o representante econômico em sua região. Também participa do G3 (Brasil, Índia e África do Sul) e da OMC, visando fortalecer sua campanha.

 

            O governo brasileiro busca intensificar suas relações comerciais com os países de economia em forte desenvolvimento, como a China (Em 22 de outubro de 2004, houve a assinatura do Acordo de Cooperação mútua em assuntos relativos à Defesa, a ser implementado com a criação do Comitê Conjunto de Defesa Brasil-China), Rússia e Índia, tendo como um dos objetivos obter apoio internacional para conseguir uma eventual vaga no Conselho de Segurança da ONU. Porém, essas relações comerciais não se consolidaram ainda, uma vez que os países citados não “ofereceram” nenhuma vantagem econômica considerável ao Brasil.

 

Uma grande Aliança Estratégica, englobando interesses comerciais, econômicos, tecnológicos e científicos entre os 5 Países BALEIAS - Brasil, China, Índia e Rússia - e mais África do Sul, vem sendo estruturada por seus governos desde 2003.

 

            Fazer parte permanente do Conselho, pode não ser favorável ao Brasil, pois caso isso ocorra, o país teria que tomar decisões importantes com relação à intervenções militares, adoção de sanções econômicas, teria maiores gastos para manutenção das forças de paz e de recursos para a burocracia da ONU. México e Argentina também visam essa cadeira, o que seria um obstáculo para o Brasil.

Escrito por Rodrigo Federer às 19h57
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Agropecuária

A agropecuária é um setor importante na Economia Brasileira e representa um setor significativo nas exportações nacionais. Ao longo da década de 1990, um salto qualitativo na produção de bens agrícolas permitiu que o Brasil alcançasse a liderança mundial em diversos insumos, com reformas comandadas pelo governo federal. E, a partir de 2002, a estabilidade da economia brasileira tornou o país mais confiável do ponto de vista internacional. Assim, o agronegócio representa uma parte grande do PIB do país.

A tabela “Confronto dos resultados dos dados estruturais dos Censos Agropecuários - Brasil - 1970/2006” em anexo apresenta dados que permitem observar que a agropecuária brasileira cresceu significativamente na maioria de seus setores, sendo isso reflexo dos investimentos que foram feitos neste segmento da economia.

Nas últimas décadas, o Brasil tem investido em pesquisas na área da produção agropecuária em busca de produtos de melhor qualidade e maiores possibilidades de produção. Um exemplo é que cientistas brasileiros seqüenciaram cerca de 55 mil genes únicos de frutas cítricas, sendo 32 mil só de espécies de laranjas, criando o maior banco de dados científicos no setor no mundo, mas este é apenas um exemplo. Em parceria com diversos países, o Brasil tem se desenvolvido bastante nessa área.

Na reportagem em anexo (“Crise de alimentos fará do Brasil 'celeiro do mundo', avaliam especialistas”) é possível perceber a importância da agropecuária brasileira no âmbito mundial, mesmo ainda existam problemas a serem superados.

Entre os principais produtos agrícolas brasileiros estão: algodão, amendoim, arroz, aveia, batata inglesa, cacau, café, cana-de-açúcar, cebola, cevada, feijão, laranja, mamona, mandioca, milho, soja, sorgo e trigo.

E entres os pecuários estão: abate de animais (bovino, suíno, eqüino, ovino, caprino, bufalino, de aves e de coelhos), leite, couro e ovos de galinha.

O crescimento mundial do consumo de alimentos, puxado pelo bom desempenho das economias dos países em desenvolvimento, o uso de produtos agrícolas para produção de combustível, a elevação dos preços internacionais das commodities e a crescente inserção dos produtos agropecuários brasileiros no exterior contribuíram para o aumento das exportações. Segundo estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC), em 2007, o volume exportado dos principais produtos da agroindústria apresentou as seguintes variações: carnes de bovinos congeladas (4,9%), pedaços e miudezas de aves (12,6%), carne de galos e galinhas não cortados em pedaços (23,0%), carnes de suínos congeladas (22,2%), álcool (11,4%), açúcar de cana (-2,8%), celulose (5,3%) e suco de laranja congelado (0,4%). No complexo soja, a exportação de grãos recuou 4,9%, enquanto bagaços e outros resíduos da extração do óleo de soja (1,1%) e óleo de soja em bruto (1,5%) cresceram. Vale acrescentar que as receitas com as exportações destes derivados da soja aumentaram, respectivamente, 18,4%, 22,2% e 47,4%.

Desta forma, o bom desempenho da agroindústria em 2007 (5,0%) pode ser explicado pelo crescimento da produção agrícola, pelo maior consumo do mercado interno (devido à expansão da renda), e pela conjuntura externa favorável para o setor, com crescimento do volume exportado e os preços. Estes fatores contribuíram para o aumento da renda do setor, o que estimulou o acréscimo na produção de insumos, adubos e fertilizantes (4,8%) e rações (7,2%), e de equipamentos agrícolas (49,3%). O ano de 2007 foi marcado pela recuperação de alguns setores da agroindústria, sendo o principal deles o de máquinas e equipamentos, que passou de queda de 16,7% em 2006 para crescimento de 49,3% neste último ano.

Escrito por Rodrigo Federer às 19h56
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Embrapa

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento é responsável por gerar soluções para o desenvolvimento sustentável do espaço rural, com foco no agronegócio, por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias, em favor dos diversos setores da sociedade brasileira. Ela atua através de Unidades de Pesquisa, de Serviços e Administrativas e funciona em quase todos os estados do Brasil.

As tecnologias criadas pelo SNPA (Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária) geraram uma modificação na agricultura brasileira. Um conjunto de tecnologias para incorporação dos cerrados no sistema produtivo tornou a região responsável por mais de 40% da produção brasileira de grãos, uma das maiores fronteiras agrícolas do mundo. A soja foi adaptada às condições brasileiras e hoje o Brasil é o segundo produtor mundial. A oferta de carne bovina e suína foi multiplicada por 4 vezes enquanto que a de frango aumentou 18 vezes. A produção de leite aumentou de 7,9 bilhões em 1975 para 25,4 bilhões de litros, em 2006 e a produção brasileira de hortaliças, elevou-se de 9 milhões de toneladas, em uma área de 700 mil hectares, em 1980, para 17,5 milhões de toneladas, em 771,4 mil hectares, em 2006. Além disso, programas de pesquisa específicos conseguiram organizar tecnologias e sistemas de produção para aumentar a eficiência da agricultura familiar e incorporar pequenos produtores no agronegócio, garantindo melhoria na sua renda e bem-estar.

Na questão da cooperação internacional, a Embrapa mantém 68 acordos bilaterais de cooperação técnica com 37 países e 64 instituições, além de acordos multilaterais com 20 organizações internacionais, por meio das quais executam pesquisas em parceria. Em função disso, instalou nos Estados Unidos e na França, laboratórios para o desenvolvimento de pesquisa em tecnologia de ponta. É permitido o acesso dos pesquisadores a mais alta tecnologia em áreas como recursos naturais, biotecnologia, informática e agricultura de precisão. Recentemente, a Empresa instalou também um laboratório em Wagneningen, na Holanda.

A Embrapa mantém também um escritório em Gana, que tem como objetivo compartilhar conhecimento científico e tecnológico com todo o continente africano, e assim contribuir para o desenvolvimento sustentável, social e econômico, para a segurança alimentar e para combate à fome em toda a região. Além disso, a Embrapa África desenvolve ações de assistência técnica e oportunidades de treinamento e desenvolvimento de Recursos Humanos bem como a prospecção de oportunidades para o agronegócio brasileiro.

 

Anexo

Crise de alimentos fará do Brasil 'celeiro do mundo', avaliam especialistas.

Segundo eles, país é o mais preparado para suprir demanda mundial.
Situação precária da infra-estrutura ainda limita expansão do agronegócio.
 

A crise alimentícia que tem trazido preocupação ao mundo mostra-se uma boa oportunidade para o crescimento do agronegócio brasileiro.

Segundo especialistas em economia agrária ouvidos pelo G1, o país é uma das nações mais preparadas para suprir a atual escassez de alimentos – ganhando mercados e lucros para seus agricultores no processo.

“Somos o principal beneficiário dessa conjuntura”, afirma Marcos Fava Neves, professor de estratégia do curso de Administração da USP.

“Hoje, já somos líderes mundiais na produção de diversos produtos agrícolas, como carne bovina, suco de laranja e soja. Amanhã, o Brasil poderá ser o celeiro do mundo, a solução do problema da inflação dos alimentos”, proclama.

"Estamos vindo de uma safra muito boa, rentável ao produtor, com muito investimento em tecnologia. Isso implica aumento de produtividade e dá uma boa perspectiva", confirma Ana Laura Menegatti, analista da consultoria MB Agro.

 

Safra recorde

A previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que, neste ano, a safra atinja um recorde de 142,03 milhões de toneladas de grãos colhidos. Esse volume representa um crescimento de mais de 120% em apenas dez anos – a safra 1997/1998 foi de 76,558 milhões de toneladas de grãos.

Ainda assim, as perspectivas são de forte incremento da produção. O país tem cerca de 400 milhões de hectares de terras aráveis. Desse espaço, apenas cerca de 60 milhões de hectares são hoje destinados à agricultura.

"Entre os grandes produtores, o Brasil é o que tem mais área potencialmente arável. O Brasil pode se destacar em agricultura", diz Ana Laura.

Segundo Fava Neves, o potencial de crescimento da agricultura brasileira é amplo. “Temos 120 milhões de hectares que podem ser incorporados à produção agrícola sem qualquer dano ambiental. Temos também um clima muito favorável para a agricultura e água abundante – um recurso cada vez mais escasso no mundo hoje”, lista.

Além disso, também há o interesse dos investidores externos pelo Brasil. Cerca de 4 milhões de hectares dos campos agrícolas brasileiros já são de propriedade de grupos estrangeiros.

 

Tecnologia

Nos últimos dez anos, a área plantada no Brasil cresceu pouco menos de 35%. Nesse período, a produtividade cresceu de 2.187 quilos por hectare, na safra de 1997/1998, para uma previsão 3.026 dez anos depois – uma mostra do aumento do uso da tecnologia nas culturas.

"O agronegócio vem passando por intenso processo de profissionalização, que é intimamente ligado à melhoria de produtividade", diz a analista da MB Agro. A tecnologia usada nas lavouras de soja, por exemplo, é considerada de ponta, permitindo produtividade tão boa quanto a norte-americana.
“Temos espaço, clima e tecnologia. Acredito que, se fizermos todo o trabalho certo, poderemos dobrar nossa produção agrícola e triplicar as exportações do agronégócio (hoje na casa de US$ 50 bilhões anuais) no período de cinco a oito anos”, prevê Fava Neves.

 

Substituição de pastagens

Os especialistas entendem que a melhor perspectiva de crescimento para o agronegócio brasileiro está na substituição de pastagens pela lavoura. A área destinada a pastagens é três vezes a utilizada pela agricultura. "Nossa pecuária é extensiva. Se for intensificada, libera mais áreas para plantio de grãos, sem redução de nenhum dos dois produtos", diz Ana Laura.

Uma parte considerável dessas pastagens hoje se encontra em processo de degradação, por falta de manejo adequado, sem capacidade de produzir forragem suficiente para suportar uma quantidade razoável de animais.

"Podemos introduzir algumas tecnologias que permitam recuperação dessas áreas, e seria possível produzir mais bovinos em área menor, destinando uma parte dessa área para produção de grãos, alimentos", diz Kepler Euclides Filho, engenheiro agrônomo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

"A gente sabe que tem área que está sendo usada abaixo do seu potencial produtivo. Então, nosso crescimento não implica necessariamente plantar onde não pode, mas fazer um melhor aproveitamento dos recursos já disponíveis", concorda Ana Laura.

 

Produção e consumo

A preocupação dos organismos internacionais, no entanto, é que esse crescimento não seja suficiente. Em 2006, puxada pela melhora das condições de vida nos países em desenvolvimento – especialmente China e Índia -, a demanda mundial dos principais grãos ultrapassou a produção.

O caso mais emblemático é o do milho. O consumo mundial de quase 722 milhões de toneladas do produto no ano superou as 689 milhões de toneladas produzidas – e reduziu os estoques globais em cerca de 27%. O fato de cerca de 30% da produção americana de milho ter sido desviada para a fabricação de etanol também teria pesado nessa conta, de acordo com os especialistas. O mundo também produziu menos soja, arroz e trigo do que foi consumido.

E o mercado interno brasileiro, pode ser afetado por essa inflação mundial? Dificilmente, segundo Fava Neves. “Nossa produção ainda é muito superior à demanda nacional”, afirma. No entanto, ele ressalva que a situação pode ser diferente para alguns produtos nos quais o Brasil é dependente do mercado externo – em especial o trigo, commoditie na qual o país é um dos maiores importadores do mundo.

 

Obstáculos

Para conseguir alcançar esse cenário positivo, no entanto, é preciso que o país supere uma série de barreiras.

“É preciso romper as travas administrativas e ideológicas do governo para que dinheiro de fora entre logo aqui, para resolver nossos problemas de logística e infra-estrutura”, diz Fava Neves.

Segundo ele, o principal problema nacional seria o “péssimo” estado em que se encontram portos e estradas. Essa degradação causaria a perda de uma fração considerável da produção ao longo do caminho até os consumidores, sejam do Brasil ou do exterior.

"A infra-estrutura, sem dúvida, ainda é um grande gargalo que tem que ser resolvido no futuro próximo se a gente deseja ser o celeiro do mundo", concorda Ana Laura, da MB Agro. "Tem regiões no Mato Grosso, por exemplo, onde por causa do custo ainda não compensa produzir", relata.

Os altos preços dos insumos agrícolas também freiam a expansão da produção. O Brasil ainda importa cerca de 80% dos fertilizantes que usa – e os preços vêm batendo recordes mês após mês. “Se aumentar muito nossa produção, pode faltar fertilizante”, adverte o professor da USP.



Escrito por Rodrigo Federer às 19h55
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Comércio exterior

O Brasil será o quinto destino favorito para investimentos nos próximos três anos. A avaliação faz parte de uma pesquisa mundial conduzida pela Organização das Nações Unidas (ONU), que questionou as principais empresas multinacionais sobre os mercados preferidos para novos investimentos até 2009.

            A lista mostra que o grupo de países chamado de Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) está entre os cinco primeiros favoritos para investimentos de grandes companhias multinacionais.
            No caso do Brasil, 22% dos entrevistados disseram que teriam planos ou algum tipo de intenção de aplicação de recursos no País. O Brasil superou países tradicionais em recepção de investimentos como o Reino Unido, a França, a Alemanha e o Japão, integrantes do G-7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo). O principal motivo de atração para o Brasil é o potencial de crescimento do mercado interno, com mão-de-obra qualificada.

            “O país está cada vez se abrindo mais para o exterior, exportando mais, conseguindo mais mercados e também importado mais, expondo sua indústria a uma concorrência saudável com os produtos importados”, afirmou o secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat.

            Nas exportações houve expansão de 18,3%, na comparação com janeiro do ano passado. A maior alta foi para o grupo Semimanufaturados, com crescimento de 36,3% em relação a janeiro de 2006. Nesse grupo, cresceram principalmente as vendas de açúcar em bruto, com alta de 135,9%; couros e peles, que cresceram 57,1% e ferro-ligas, com alta de 49%.

            Entre os Manufaturados, cujas vendas registraram 15,2% de crescimento, expandiu-se especialmente o álcool etílico, em 177,2%. Outro recorde é o número referente às exportações no período acumulado entre fevereiro de 2006 e janeiro de 2007, que alcançou US$ 139,162 bilhões.

            A categoria de produtos básicos cresceu 16,5%, com destaque para o milho em grão, que vendeu 518,2%. As importações aumentaram 31,3% na comparação com janeiro de 2006. Cresceram, principalmente, as compras de combustíveis e lubrificantes, em 45,4%; bens de consumo, em 35,3%; bens de capital, em 31,4% e matérias primas e intermediários, em 26,2%.

Escrito por Rodrigo Federer às 19h53
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Recursos energéticos

            Na atual conjectura mundial, onde as questões sobre aquecimento global, desenvolvimento sustentável, impactos ambientais e escassez de recursos naturais estão cada vez mais enfatizadas, o Brasil se destaca no âmbito mundial e se torna, geopoliticamente e economicamente, um dos países mais importantes do século XXI.



Escrito por Rodrigo Federer às 19h52
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Etanol

O Brasil é um dos países em boas condições de enfrentar um dos grandes temores do século: a falta de energia. Além de recursos naturais que nos permitem ter hidrelétricas, o país tem grande vantagem competitiva no que diz respeito a agroenergia. Estudos indicam que a demanda por combustíveis tende a aumentar consideravelmente nos próximos anos, e o país, que detêm a tecnologia de produção do etanol e do biodiesel, não ficará dependente do petróleo, um recurso natural não renovável.  Nos últimos anos, os aumentos gradativos do preço do petróleo, que é a principal fonte de energia no mundo, e os impactos ambientais que resultam de sua queima, tem levado o mundo a buscar alternativas. O álcool desponta como a principal promessa, pois os custos para a produção e os impactos ambientais são bem menores.

No ano passado, o mercado brasileiro de etanol movimentou 6 bilhões de dólares (Fonte : Única e Energy Information Administration). Em 2010, estima-se 15 bilhões.

Até mesmo as petroleiras, em princípio contrárias ao sucesso do etanol, já perceberam que não dá para ignorá-lo. No início de junho de 2006, a Shell passou a exportar álcool brasileiro para os Estados Unidos, o maior mercado mundial e que divide com o Brasil a condição de líder no ranking mundial de produção de álcool.  

O mercado de trabalho no Brasil deve sentir os efeitos do crescimento do setor do álcool. As oportunidades de empregos diretos e indiretos serão consideráveis. Atualmente, o país destina 62 milhões de hectares à produção agrícola, dos quais 5% são usados no cultivo de cana-de-açúcar para gerar combustível (FONTE: DATAGRO). A produção de etanol pode ser multiplicada porque existem áreas degradadas que não são propícias para o cultivo de alimentos, mas servem para o cultivo de cana. Existem hoje no país 380 usinas de cana-de-açúcar e, como a demanda por biocombustíveis deve aumentar, estima-se o surgimento de mais 120, além de 30 destinadas ao biodiesel. Por isso, o mercado de trabalho no setor irá crescer. Engenheiros agrônomos responsáveis pela recuperação das pastagens degradadas e pela produção de forma sustentável serão mais requisitados, assim como os engenheiros de logísticas responsáveis pelo escoamento e transporte do produto. E muitas outras profissões, como gestor ambiental, geógrafos, engenheiros químicos, técnicos agrícolas, enfim.

 

O Brasil está produzindo etanol em larga escala graças a uma perfeita combinação de clima, extensão territorial e reservas de água. A produtividade é a maior do mundo. De cada hectare de cana plantada no país, produzem-se 6 800 litros de álcool. Nos Estados Unidos, hoje o maior produtor mundial de etanol, o álcool é feito de milho, e cada hectare da cultura gera 3 200 litros de álcool -- abaixo da metade do rendimento brasileiro (FONTE: DATAGRO). No Brasil, as máquinas que fabricam o álcool são movidas à energia elétrica produzida pela queima do bagaço de cana, o que reduz os custos. Nos Estados Unidos, o processo depende da energia gerada do carvão, do óleo combustível ou do gás natural, o que encarece o produto final.

A supremacia brasileira no mercado de álcool, no entanto, não deve ser encarada como definitiva. O país tem debilidades que tendem a agravar-se com o tempo. A mais evidente é a falta de investimentos em ciência e tecnologia.

Contudo, o Brasil pode representar um papel de líder mundial na questão dos biocombustíveis, uma vez que dispõe de recursos, da tecnologia e de uma infra-estrutura, que embora ainda carente, tem tudo para se desenvolver, contribuindo assim, para a melhor situação econômica do país. Ressalta-se ainda que desenvolver-se de forma sustentável, sempre levando em consideração os impactos no meio ambiente, é o melhor caminho para o progresso.

Escrito por Rodrigo Federer às 19h52
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Energia Nuclear

   Outra questão que alavanca o Brasil a uma posição de destaque no mundo globalizado, diz respeito à energia nuclear. Atualmente o país é o sexto colocado no ranking mundial de reservas de urânio e nos últimos 30 anos aprendeu a dominar seu ciclo. Em julho de 2007, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou a retomada das obras do complexo nuclear de Angra III, colocando o Brasil no caminho para obter auto-suficiência nuclear.

Um dos objetivos do país no enriquecimento de urânio é poder contar com uma fonte alternativa de energia, tendo como preocupação a iminência de um “apagão” nos próximos anos.  Hoje, mais de 80% da energia produzida no Brasil é de origem hídrica, 4,5% vêm do gás natural, 2% de carvão e 2% ,somente, provenientes de energia nuclear (FONTE: MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA).

Dentre as vantagens pelo uso da energia nuclear, pode-se apontar que, quando utilizada para produção de energia elétrica é uma forma de energia que não emite nenhum gás de efeito estufa (dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e outros), é uma fonte de energia de menor custo e que não contribui para o aquecimento global.  Além disso, na atual situação do planeta, onde a escassez de recursos aumenta gradativamente, é importante contar com mais de uma fonte de energia. Ressalta-se ainda que atualmente o Brasil está encarando problemas com as outras fontes energéticas, como por exemplo, o aumento nos custos de geração de energia hidrelétrica devido às exigências de licenciamento ambiental impostas pelo IBAMA .É importante lembrar também que o novo presidente eleito do Paraguai está disposto a rever o contrato da Usina de Itaipu.O país vizinho do Brasil reivindica uma participação financeira maior referente a produção de energia elétrica.O paraguaio alega que somente 5% da energia produzida pela usina é consumida em seu país, e o restante é comercializada no Brasil, logo é preciso reavaliar a situação da hidrelétrica. Embora a usina tenha sido patrocinada integralmente pelo governo brasileiro, gastando-se bilhões de dólares, o Brasil tem de se submeter a uma divisão da receita da usina devida exclusivamente à localização geográfica da usina, que abrange terras paraguaias. Outro assunto importante é a relação Brasil-Bolívia, onde o presidente Evo Morales reduziu a exportação de gás natural para o Brasil, havendo desta forma, a necessidade de diversificar a matriz energética do país.

O projeto de Angra III deve ficar pronto em 2013 e o Brasil deverá ser um dos quatro países auto-suficientes no ciclo nuclear, desde a extração, passando pelo refinamento e chegando à construção de usinas. Atualmente só EUA, China e Rússia possuem reservas e tecnologia nuclear.



Escrito por Rodrigo Federer às 19h47
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Petróleo

O petróleo constitui a principal fonte de energia na atualidade. O fato de o petróleo ser um recurso esgotável aliado ao seu importante valor fizeram com que o combustível se tornasse um elemento causador de grandes mudanças geopolíticas e socioeconômicas em todo o mundo.

No Brasil, a Petrobras é a empresa responsável pelo petróleo nopaiís. Em 2003, coincidindo com a comemoração dos seus 50 anos, a Petrobras dobrou a sua produção diária de óleo e gás natural ultrapassando a marca de 2 milhões de barris, no Brasil e no exterior.

No dia 21 de abril de 2006, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu início à produção da plataforma P-50, no Campo de Albacora Leste, na Bacia de Campos, o que permitiu ao Brasil atingir auto-suficiência em petróleo.

Atualmente, a Companhia está presente em 27 países. Em 2007, a Petrobras foi classificada como a 7ª maior empresa de petróleo do mundo com ações negociadas em bolsas de valores, de acordo com a Petroleum Intelligence Weekly (PIW), publicação que divulga anualmente o ranking das 50 maiores e mais importantes empresas de petróleo.

No início de 2008, a Petrobras foi reconhecida através de pesquisa da Management & Excellence (M&E) a petroleira mais sustentável do mundo. Em primeiro lugar no ranking, com a pontuação de 92,25%, a Companhia é considerada referência mundial em ética e sustentabilidade, considerando 387 indicadores internacionais, entre eles queda em emissão de poluentes e em vazamentos de óleo, menor consumo de energia e sistema transparente de atendimento a fornecedores.

 

Petrobras em Números

 

Dados referentes ao ano de 2007

 

RECEITAS LÍQUIDAS (R$ milhões)

R$ 170.578

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LUCRO LÍQUIDO (R$ milhões)

R$ 21.512

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INVESTIMENTOS (R$ bilhões)

R$ 45,3

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ACIONISTAS

272.952

-------------------------------------------------------

EXPLORAÇÃO

70 sondas de perfuração (43 marítimas)

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RESERVAS (CRITÉRIO SEC)

11,7 bilhões de barris de óleo e gás equivalente (boe)

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POÇOS PRODUTORES

12.935 (738 marítimos)

-------------------------------------------------------

PLATAFORMAS DE PRODUÇÃO

109 (77 fixas; 32 flutuantes)

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PRODUÇÃO DIÁRIA

1.918 mil barris por dia - bpd de petróleo e LGN

382 mil barris de óleo equivalente de gás natural por dia

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REFINARIAS

15

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RENDIMENTO DAS REFINARIAS

1.965 mil barris por dia

-------------------------------------------------------

DUTOS

23.142 km

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FROTA DE NAVIOS

153 (54 de propriedade da Petrobras)

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POSTOS

5.973

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FERTILIZANTES

3 Fábricas: 235 mil toneladas de amônia

700 mil toneladas de uréia

 

Atualização anual

Última atualização: março de 2008



Escrito por Rodrigo Federer às 19h45
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Amazônia

   No atual contexto da globalização, não se pode deixar de ressaltar a importância da Amazônia para o Brasil. A região contém um quinto da disponibilidade mundial de água doce, dispõe de grandes reservas de recursos naturais, além de contar com a maior biodiversidade do planeta.

   Para efeitos de governo e economia, a Amazônia é delimitada por uma área chamada "Amazônia Legal" definida a partir da criação da SUDAM, em 1966 e ocupa 61% do território brasileiro, onde se estende por nove estados – equivalente à metade do continente europeu.  

   Segundo avaliações da Organização das Nações Unidas, o século XXI será marcado por graves conflitos entre as nações, oriundos de uma única causa: a  escassez de água potável. É uma das causas que tornam a Amazônia ainda mais estratégica para o Brasil. “Enquanto espaço geográfico , territorial, a valorização estratégica da Amazônia decorre do novo significado por ela adquirido, o de um duplo patrimônio: o de terras propriamente dito, e o de um imenso capital natural”(Bertha K.Becker/ Amazônia-geopolítica na virada do milênio).

    Avançam na comunidade mundial, propostas para a internacionalização do grande patrimônio amazônico. Foi publicado no jornal americano The New York Times, no último dia 18, uma matéria com o título: “De quem é a Amazônia afinal?” , realçando, no contexto mundial, a  ameaça da soberania brasileira sobre a Amazônia. Já o jornal inglês The Independent publicou três dias antes da matéria do The New York Times uma matéria sobre a demissão da ministra do meio ambiente Marina Silva, e acrescentou a seguinte calúnia: “Uma coisa está clara.Essa parte do Brasil é muito importante para ser deixada com os brasileiros”. A cobiça pelo nosso tesouro está cada vez mais evidenciado no exterior e o nosso governo precisa tomar medidas.

   As políticas de preservação da floresta amazônica são caóticas. O crescimento da indústria ilegal madereira cresce absurdamente e está destruindo rapidamente a fauna e a flora da região. Atualmente , 80% da extração de madeira provenientes da Amazônia é ilegal, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Além disso, pecuaristas compram terrenos na Amazônia, utilizando –os para pastagem até se tornarem inférteis para a atividade, e abandonam a região, tornando assim uma região com pouca produtividade. O governo brasileiro tem que ser mais firme no controle da região, para não ser questionado internacionalmente. Deve se fazer presente na região.

   A livre circulação de pessoas, mercadorias e informações entre os países, decorrentes do avanço da globalização resultam em outra questão que deve ser revisada pelo governo brasileiro: a presença de inúmeras ONGs na Amazônia. Sabe-se que existem cerca de 100 mil ONGs operando na Amazônia. O que nos remete à seguinte pergunta: Qual o verdadeiro interesse dessas inúmeras organizações na região?

    Sem dúvida,  existem ONGs que lutam verdareiramente em defesa da ecologia e dos direitos humanos. Entretanto, existem outras cujos objetivos são incertos. E na atual situação da natureza , essa presença estrangeira na região nos faz acreditar na busca e exploração das riquezas da região por parte dessas organizações. O governo deve impedir essa invasão globalizada. A região também é alvo da biopirataria, onde labaoratórios do mundo inteiro buscam patentes para seus medicamentos.Ainda  nesse contexto, deve-se ressaltar que muitas ONGs defendem com unhas e dentes a política indígena de demarcação de terras. Seria uma jogada estratégica, uma vez que se o Estado brasileiro não tiver domínio político em grandes áreas da região, áreas essas de riqueza desconhecidas, ficaria fácil para as organizações se articularem . É de suma importância o governo rever suas políticas em relação às ONGs, pois podem representar um risco à soberania brasileira amazônica.

     Contudo, muito antes de enfrentar invasores externos, o Brasil tem que rever a sua política sobre a Amazônia. Deve-se pensar no desenvolvimento sustentável da região.



Escrito por Rodrigo Federer às 19h44
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Água

Além de possuir o rio mais volumoso do mundo, o Amazonas, o Brasil está assentado sobre a maior reserva subterrânea de água doce do mundo, o Aqüífero Guarani. Acredita-se que o volume de sua água seria capaz de abastecer o dobro da população brasileira atual, cerca de 360 milhões de pessoas.  De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Ambiental e Agropecuária (Embrapa), a água ali contida é de excelente qualidade e suficiente para abastecer a atual população brasileira por 2.500 anos.  

    Com a escassez da água potável do planeta, empresas transnacionais já estão se articulando e ocupando a região do aqüífero pela importância estratégica da água na atualidade, e os frutos que ela pode render economicamente em médio prazo. A interferência da iniciativa privada é um risco para a sustentabilidade da reserva. Por isso se faz necessário políticas públicas com a finalidade de proteger esse recurso, para não ser exportado ou cobrado antes que a população do país seja completamente abastecida. Algumas multinacionais, no entanto, já exploram e comercializam água mineral proveniente do manancial sem qualquer intervenção do governo brasileiro.

    Outra questão que deve ser ressaltada quanto à questão geopolítica e que ameaça, de certa forma, a soberania do Brasil perante seus recursos naturais, é a presença de uma base americana na tríplice fronteira (entre Brasil, Argentina e Paraguai) que oferece fotos de satélite do Aqüífero atualizadas a cada minuto. Oficialmente, a razão dada pelos Estados Unidos para a presença de seu exército na região é o treinamento de tropas paraguaias e exercícios conjuntos entre as tropas dos dois países, além de monitorar a população de etnia árabe que reside na região, entretanto já se sabe o potencial brasileiro no que diz respeito aos recursos naturais e as vantagens que esses recursos podem oferecer no âmbito econômico, político e social de quem os detêm. O interesse internacional nas nossas riquezas é uma realidade e providências devem ser tomadas. 

     É importante que se faça um levantamento para se saber com exatidão quanto da água do Aqüífero Guarani pode ser explorada, e de que forma. O uso indevido do Aqüífero, sem regras ou regulação, pode mudar seu status atual de uma reserva estratégica de água potável para um foco de degradação generalizada e conflitos entre países.

     A água está se tornando um instrumento de mercantilização. A Organização Mundial do Comércio facilita as ações de empresas através de leis e tratados comerciais e ,de certa forma, colaboram com a mercantilização da água, onde as empresas possui total liberdade para explorá-la e comercializá-la. Alguns gigantes do capitalismo e que atuam na área de envasamento, distribuição e venda de águas, como Nestlé, Danone, Coca-Cola e Pepsi-Cola concorrem no desenvolvimento e comercialização com as empresas de tratamento de água, em nome de uma água mais saudável e apropriada para o consumo humano. A questão da lucratividade sobre a água, bem como a forma como os grandes grupos capitalistas agindo em conformidade com o Código das águas, que trata água como mercadoria, já desencadeou uma verdadeira “corrida pelo ouro”.

     É necessário discutir a natureza do processo de globalização e as contradições que ele gera no campo ambiental. Quando o meio ambiente é tratado como mercadoria, é visível a degradação da natureza e dos seus recursos.

 

 

 

 

FONTES

 

Acessado em: 11 de maio de 2008

 

  • Livro: Geografia Geral e do Brasil

Autor: Eustáquio de Sene e João Carlos Moreira

 

·         Petrobrás

 



Escrito por Rodrigo Federer às 19h43
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